Miniblog

  • Abelhas, muitas abelhas

    Quando alguém te diz “a torneira está sem água”, você sabe que vai ter dor de cabeça. O bom de morar em sítio é não precisar ligar para uma companhia resolver esse tipo de BO. O ruim é que você mesmo tem que fazer isso

    Não é a caixa d’água, tudo certo com os registros, ah, a roçadeira estourou o cano aqui. Pensei que estava mais fundo. Coisa fácil de arrumar, não fossem as abelhas.

    Sim, porque o camo estourou numa caixa de passagem onde um bando se abelha apis achou de bom tom fazer sua colmeia.

    O primeiro impulso foi jogar veneno, e até corri na loja comprar uma latinha (eu também achei que o ninho era menor). Não conseguia pensar em uma alternativa para arrumar aquele cano rápido.

    Na real, fiquei com dó das abelhas (e matar abelhas é crime, e COMO VOCÊ PODE CHAMAR SEU ESPAÇO DE SUSTENTÁVEL SE VOCÊ VAI FAZER UMA COISA DESSAS?)

    Ufa. Vamos tentar resolver sem matar. Até cheguei a pedir uma roupa apropriada para isso, mas até a Ju me responder, veio a alternativa: lembrei da minha roupa de chuva dos tempos de motoca. Muito bom, elástico e velcro nos punhos, pescoço e perna. Muito ruim, quente pra dedéu. (E eu me senti brincando de astronauta, movimentos lentos e capacete fechado).

    Objetivo cumprido, água restaurada, zero picadas, total de 1 abelha falecida (a que ficou embaixo da tampa de concreto – não se pode ganhar todas.)

    Juliana me perguntou se vou mover essa colmeia daí, e não é que a ideia é boa? Preciso juntar mais informações.

    Dia seguinte me peguei pensando por que meu primeiro impulso foi usar veneno? Será que é a cultura? Acho que foi simplesmente falta de repertório.

    A solução mais ecológica era também a mais simples. Acho que esse é o caso, muitas vezes. Mas nos falta repertório. Um repertório de soluções práticas, simples, sustentáveis, que perdemos em algum momento da colonização/modernização e precisamos recuperar, ou redescobrir.


  • Luz de qualidade

    Se tem uma coisa difícil de pensar durante o projeto, é a qualidade da luz no ambiente. Até quando resolvi por esses fechamentos de bambu, a questão era ser barato, sustentável, bonito…

    Mas, grata surpresa, a luz do sol da manhã filtrada pela trama de bambu é uma coisa linda que só!


  • Incompleto

    O galpão ficou, de fato, lindão.

    O problema, para mim, é ter que lidar com a eterna comparação entre o que está, e o que será. Porque não está pronto. Nessa fachada mesmo ainda tem as janelas e um portão, que são as próximas etapas previstas.

    Existe um quê de saudável no “está bom, mas dá pra ficar melhor”, que empurra o projeto adiante, mas também tenho que tomar cuidado para nunca estar satisfeito.

    Não só na construção ou na marcenaria. Mas na literatura, na arte, uma hora você precisa ser capaz de colocar o ponto final e dizer “é isso!” Quem sabe se eu vou conseguir, um dia, dizer “agora tá pronto esse galpão?”

    Veremos.


  • Habemos lux!

    A ideia destas luminárias estava em minha mente desde o ano passado, com projetos e testes pequenos. No fim do ano comecei com os protótipos de papelão, em fevereiro foi hora de colocar a mão na massa.

    A luminária tem formato de zomedro (Zome), feita de compensado naval de 4mm, as uniões com fita perfurada e rebites. Metade das peças recebeu verniz transparente, metade verniz com corante. Ficou com um visual um pouco mais “industrial” do que eu esperava, em grande parte pelos rebites, mas ainda acho quej ficaram lindonas.

    Depois foi alugar andaimes para instalar tudo. Aproveitei para arrumar um probleminha no lanternim, e para colocar wi-fi no espaço. Fica bem no alto, no lanternim, para fazer a comunicação sem precisar passar por meio da telha, cuja manta atrapalharia o sinal.


  • Goiaba para humanos e outros

    Eram muitos pés de goiaba, quando estávamos planejando a agrofloresta aqui do espaço. “Você não vai conseguir colher tudo isso aí”. Mas estavam em promoção no fornecedor de mudas. Goiaba vermelha, branca, amarela e roxa.

    É muito difícil produzir, de maneira orgânica, uma goiaba viável comercialmente. Sem veneno, o único jeito é ensacar individualmente, na hora certa, quando estão pequenas (já tentei, não adiantou. Talvez eu tenha feito algo errado.)

    O resultado são quilos e quilos de goiaba que não tem muito como vender, já que a maioria tem bicho. muita gente não se importa, até porque goiaba docinha direto do pé vale o risco (convenhamos, bicho não é agradável, mas também não faz mal algum).

    De qualquer modo, tem os não-humanos. Tem tanto passarinho que come goiaba, que vale plantar pra eles. E abelha, besouro, lagarto, e também seus predadores, e cadeia afora. E bom, goiabeira é nativa e espontânea.

    Produzir alimento é mais complexo do que plantar para o supermercado.


  • Montando as peças do jogo

    Às vezes a parte mais demorada do processo é lixar, lixar, lixar… Mas, no final, vem a satisfação com o resultado, mesmo que seja apenas um jogo.

    No fim de semana tem evento no Seo Carneiro, o jogo será sorteado entre os que preencherem a ficha no meu estande. Passa lá!


  • Inaugurando o Miniblog!

    Inaugurando com essa foto da corujinha que veio nos visitar nas aulas de marcenaria à noite


  • A carreira ideal

    Dizem que a carreira ideal é aquela que você queria quando era criança. Mas a vida não é uma linha reta, a gente tem que dar voltas e voltas até achar o que talvez seja aquilo que deveria fazer.
    Quando eu era pequeno ficava maravilhado com o depósito de sucatas e ferro velho do sítio (todo sítio tem um canto para onde vão postes, vigas, implementos quebrados e todo o tipo de coisa que “sobrou, mas pode ser util”).

    Certa vez, li um relato de uma mulher que havia assumido a fazenda do avô falecido, e quando entrou no celeiro havia metros e metros de fios, cabos e arames. A primeira ideia era jogar fora toda aquela tralha, mas com todas as mudanças, isso ficou para mais tarde. Com o passar do tempo, foi descobrindo para que serviam todos aqueles fios (consertar cerca, amarrar coisas e gambiarras diversas, permanentes ou temporárias — na verdade, tudo é temporário, dependendo da sua escala).

    Voltemos ao pequeno Rodrigo no depósito de sucatas imaginando os varios projetos que eu poderia fazer com tudo aquilo. Hoje continuo igual, com um pouco mais de experiência e capacidade, e menos tempo.

    Mas, como adulto precisa ganhar dinheiro, inventei essa aula maker, ensinando crianças a fazer tudo aquilo que eu gostaria de fazer quando criança, quando assistia as experiências do X-Tudo e não conseguia fazer porque sempre faltava a algum material.

    Porque desde sempre o que muita criança quer mesmo é pegar uma parafusadeira, um martelo, uma tesoura, e sair fazendo coisas.